Professor de Riachão é processado por chamar secretario de administração de ” traficante e drogado “

02Ao lado de professores e professoras militantes do SINTESE, a deputada estadual Ana Lúcia (PT) foi até o município de Riachão do Dantas para prestar seu apoio e solidariedade ao professor e liderança do SINTESE, Estefane Lindenberg, que foi processado pelo secretário de Administração do município, Valmir Alves de Oliveira Júnior, conhecido como “Jubinha”.

Na tentativa de cercear sua liberdade de expressão, o secretário alega que se sentiu ofendido pela fala do professor, durante uma manifestação da categoria realizada no ano passado. Embora o acusante não tenha apresentado provas contra Estefane, a exemplo da gravação do pronunciamento em questão, Jubinha o acusa de usar os termos “irresponsável”, “traficante” e “drogado”.

Estefane explica que os termos “traficante” e “drogado” nunca foram usados para adjetivar o gestor público, e justifica o uso do termo “irresponsável” se referindo não à pessoa física de Valmir, mas à gestão pública que faltou com sua responsabilidade ao descumprir diversas leis e obrigações para com os professores e professoras do município, deixando, inclusive a categoria sem salário por mais de 50 dias. “Irresponsável é aquele gestor que não cumpre as nossas leis”, destacou.

“Em nenhum momento, eu uso palavras de baixo calão, seja com o microfone ou sem o microfone em mão. Como professor, como sindicalista, como ser humano, eu não ofendo a dignidade de ninguém. O que fiz e faço é relatar fatos que podem a qualquer momento serem comprovados”, argumentou.

Durante a primeira audiência, realizada na última sexta-feira, 17,  e considerada de conciliação, não houve acordo. O secretário de Administração, Valmir Alves de Oliveira Júnior, pede 18 mil com indenização.

A próxima audiência acontece dia 28 de julho, às 8h45, no Fórum do município.

Para Stefane, o processo é uma tentativa de calar a voz e intimidar as ações de luta dos professores e professoras, organizados por meio do SINTESE. “O que está por trás disso é a administração tentando fazer a desmobilização da nossa luta, é fazer com que a gente perca a capacidade de lutar, é fazer com que a gente fique com receio de falar as verdades que sempre denunciamos nas ruas. Mas a intenção dessa administração não vai ser concretizada. Nós não vamos mudar, vamos continuar nas ruas reivindicando nossos direitos”, destacou Stefane.

Após se solidarizar com o colega professor processado e colocar seu mandato à disposição da luta dos professores, a deputada Ana Lúcia reafirmou que o processo é uma estratégia de desestabilizar a resistência da categoria.

“A conjuntura é de criminalizar os movimentos sociais e sindicais e a política. É como diria o velho Paulo Freire: É a pedagogia do medo. Quando você processa uma liderança, o intuito é inibir os demais professores e professaras para a luta”, avaliou Ana Lúcia.

“Estamos num momento de unidade, um momento em que os gestores buscaram um novo caminho, que é o caminho de criminalizar e judicializar nossas falas e nossas ações, na tentativa de gerar medo. Isso é uma tática de barrar nossa ação de luta. Mas eles não vão conseguir barrar nossas ações, pois tudo que conseguimos até hoje como categoria organizada é fruto da nossa luta”, frisou a presidenta do SINTESE, Ângela Melo.

* Escrito por: Débora Melo/ Ascom parlamentar -Deputada Ana Lúcia

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